Em exposições museológicas, os textos ainda são protagonistas na construção da narrativa — mesmo diante de experiências cada vez mais visuais, interativas e digitais. A tipografia em exposições museológicas não é um detalhe gráfico: ela é uma ferramenta essencial de mediação entre curadores, acervo e visitantes.
Por que a tipografia importa nas exposições
Embora muito se discuta sobre expografia, cenografia e curadoria, raramente a tipografia é tratada como parte estratégica do projeto expográfico. No entanto, ela exerce papel fundamental para:
-
Garantir acessibilidade visual
-
Guiar o percurso e a leitura
-
Manter a coerência da identidade visual da exposição
-
Conectar texto, espaço e público
Assim, negligenciar a tipografia pode comprometer a clareza da comunicação em todo o projeto.
O que observamos nas exposições visitadas
Durante as visitas a duas exposições de longa duração em museus de ciências da USP, observamos desafios recorrentes que comprometem a leitura dos textos e, como consequência, afetam a experiência do público.
1. Problemas de legibilidade
Além da escolha inadequada de fontes, foi notável o uso de tipografias muito condensadas, com pouco contraste em relação ao fundo. Também se verificou o uso de tamanhos reduzidos, dificultando a leitura — especialmente para pessoas com baixa visão ou mais idade.
2. Textos fora da faixa de visão ideal
Em muitos casos, os textos estavam posicionados muito altos ou muito baixos, exigindo esforço físico para serem lidos. Como resultado, o visitante tende a abandonar a leitura. A faixa recomendada vai de 0,70 m a 1,70 m do piso, abrangendo cadeirantes, crianças e o público geral.
3. Suportes e iluminação
Frequentemente, os textos estavam aplicados sobre superfícies envidraçadas, vitrines espelhadas ou painéis com má iluminação. Esse tipo de escolha prejudica a visibilidade e exige atenção no projeto. Portanto, é essencial considerar o suporte físico como parte da estratégia de leitura.
4. Interferência do fluxo de visitantes
Em ambientes mais estreitos ou com grande circulação, o tempo de leitura é reduzido. Isso exige que o texto seja mais claro, objetivo e posicionado em locais de fácil acesso visual. Além disso, é importante lembrar que a presença de outros visitantes pode bloquear a leitura — especialmente quando os textos estão muito próximos do piso ou dos objetos expostos.
Dicas práticas para melhorar a tipografia em exposições
Se você trabalha com curadoria, museografia, sinalização ou design gráfico, considere essas recomendações para tornar sua exposição mais clara e acessível:
-
Prefira fontes sem serifas, com bom espaçamento
-
Use contraste alto entre texto e fundo
-
Posicione os textos entre 70 e 170 cm do chão
-
Reduza o número de palavras em áreas de alta circulação
-
Teste com diferentes públicos antes da finalização
Além disso, é recomendável revisar o conteúdo com especialistas em acessibilidade ou design universal.
Conclusão: tipografia é experiência
A tipografia em museus e exposições deve ser pensada como parte do percurso do visitante. Não basta informar — é preciso tornar o conteúdo acessível, legível e integrado ao espaço. Cada escolha tipográfica contribui ou atrapalha a construção da experiência.
Na Miríada, desenvolvemos projetos de design expográfico e sinalização que colocam a legibilidade no centro. Porque acreditamos que um bom projeto começa pelo olhar — e respeita o tempo de quem lê.
👉 Quer saber como podemos colaborar no seu próximo projeto? Fale com a gente pelo renata.lanz@miriada.design
texto original publicado na revista CPC da USP, que pode ser acessado em “Sobre” neste site.
